Competências do educador infantil

REFLETINDO SOBRE AS COMPETÊNCIAS

 

O mundo a cada dia que passa recebe mais novidades, mais mudanças nos aguardam o que em um dia era o ideal para uma aprendizagem eficaz noutro já se faz ultrapassado. É na escola que devemos agir com aprimoramento constante das competências de um educador, pois afinal é o professor o principal responsável pela aprendizagem de seu aluno.

Mas o que é competências?

De acordo com o dicionário Aurélio o termo significa:

“Qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certos assuntos” (Dicionário Aurélio).

No documento do ENEM encontramos a seguinte definição:

Modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer, as habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do “saber fazer” através das ações e operações as habilidades aperfeiçoam-se, possibilitando nova organização das competências (Documento básico do Enem, p.8).

Saliento que as competências profissionais são:

Capacidade de mobilizar, articular e colocarem valores, conhecimentos e habilidades necessárias para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho. (DCN EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NIVEL TECNICO) – (Parecer CNE-CBE 16/99 e Resolução CNE-CEB nº. 04/99)

Enfim pode-se dizer quando utilizamos conhecimentos agimos com eficiência estamos utilizando nossas competências. É colocar em prática um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes.

Para desenvolver competências é preciso trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor desafios que estimulem a mobilizar conhecimentos, habilidades e valores.

As competências requeridas de um verdadeiro profissional consistem, de preferência, em não gastar toda sua energia para se defender, para afastar o outro, mas, ao contrário, aceitar negociar, ouvir e compreender o que os pais têm a dizer, sem renunciar a defender suas próprias convicções (PERRENOUD, 2000, p.119).

Muitos professores vêm certos pais como adversários mais ou menos declarados ou talvez até como aliados. Mas cabe ao professor captar o máximo possível o apoio dos mesmos em seus propósitos evitando a falta de informações, queixa as quais muitas vezes fazem a criança ser mensageira de ambas as partes. É necessário envolver os pais no ambiente escolar captando suas angústias e interesses a fim de melhor adaptar a realidade escolar ao qual seu filho está inserido. O educador desse novo milênio deve ter em mente que o ele não está em um pedestal, que não é o dono da verdade, dono de todos os saberes, capaz de ter respostas para tudo. Unir-se com as famílias é uma das tarefas mais importantes dos docentes, auxiliando também para contornar situações novas do processo ensino-aprendizagem. Quanto mais sabemos da família de nossos educandos os entendemos e mais os amamos. Uma criança amada é disciplinada. Os pais são, portanto, coadjuvantes do processo ensino-aprendizagem, sem os quais nossos educandos apresentam uma maior dificuldade no seu processo educativo, interferindo significativamente no verdadeiro sentido de educação.

 A escola não é a nossa casa, porém a família pode auxiliar os educadores no processo de ensino-aprendizagem, da educação também nada impede aos educadores uma aproximação dos lares de seus educandos a fim de conhecer melhor a realidade em que seus alunos estão inseridos fazendo assim um compromisso mútuo, compartilhado e solidário, onde maior beneficiado é a criança. É necessário ao educador segurança em seu trabalho, é necessário estar sempre bem embasado nas atuais realidades do processo ensino-aprendizagem Mas para isso é necessário o educador possuir vontade em querer sempre aprender, pois com um mundo onde as inovas informações voam, o que hoje é novidade amanhã já está ultrapassado.

A responsabilidade de sua formação contínua pelos interessados é um dos mais seguros sinais de profissionalização de um oficio. Do mesmo modo que a instalação de dispositivos permitem a cada um prestar conta de seu trabalho a seus pais, assim como uma hierarquia. (PERRENOUD, 2000, p.179)

Estamos vivenciando um momento de muitas mudanças, a cada dia surgem novas idéias, novos instrumentos surgem no intuito de enriquecer mais o aprendizado. Nossas crianças são bombardeadas de informações com os recursos mais variados, é a televisão, o computador, a internet se o professor não se atualizar com as novas tecnologias e inovações com certeza seu trabalho poderá ficar um pouco mais deficitário daquele professor que busca maneiras novas interessantes de acordo com a realidade em que seus alunos estão inseridos. O professor de educação infantil não pode ser o único no ensino aprendizagem ele faz parte e deve estar atento ao que realmente interessa e se faz necessário naquele momento para seus educandos e responsáveis. Já nos diz Perrenoud:

As competências de um professor são de ordem cognitiva, afetiva, conativa e pratica. São também duplas de ordem técnica e didática na preparação dos conteúdos e de ordem relacional pedagógica e social, na adaptação ás interações em sala de aula (PERRENOUD, 2001 p. 28).

Inúmeras vezes escutamos dos professores a reclamação de que precisam aprender novas técnicas para ensinar isso ou aquilo, porém esses mesmos professores criam um laço tão forte com sua maneira antiga de ensinar que dificultam seu trabalho imensamente alegando motivos variados, (não se aplica a esta turma, as crianças são hiperativas, não tenho recursos necessários….) mas o que realmente querem é uma maneira milagrosa de fazer um processo de ensino aprendizagem mágico com seus antigos métodos para educandos cheios de novidades e novos interesses. É necessária e urgente uma reflexão para com o que realmente aprender como aprender e como envolver a família nessa proposta.

 O professor que gosta, ou melhor, que ama o que faz demonstra em suas aulas um respeito uma afetividade para com seus alunos conseqüentemente é valorizada pela família dos mesmos. Na educação infantil a afetividade deve fazer parte todo momento.

 Muitas crianças passam doze horas diárias dentro de um estabelecimento de ensino, o professor acaba fazendo um papel de mãe, pai, psicólogo diariamente sem esquecer que é um professor, ao final do dia precisa dispensar um tempo para uma atenção especial para os responsáveis daquela criança.

São necessárias muita simpatia e empatia com os pais, afinal de contas onde à criança passou mais tempo acordada e recebendo atenção. Ao entregar a criança aos responsáveis sabemos que cumprimos mais uma etapa na formação de um ser humano, portanto nada mais justo um pouco de atenção e carinho também para com aqueles que zelam pelo bem da mesma (pais ou responsáveis).

Cabe ao educador a preocupação em preparar seu educando como pessoa. Instruir não é a principal tarefa do educador, mas sim, a de educar seu aluno a enfrentar novos desafios de incertezas, inquietações cheio de pessoas com sentimentos e pensamentos diversificados. Compete à escola não enfatizar uma educação só de conhecimento; deve levar em consideração a compreensão do ser humano, de carne e osso, de corpo e alma.
              De nada adianta uma aula repleta de novos conhecimentos bem ministrados, se além dos portões da escola, o educando torna-se uma pessoa sem a noção de valores.Um bom educador deve possuir a preocupação em educar pela valorização e respeito á vida.
O verdadeiro cidadão não começa quando os pais registram seus filhos no cartório nem quando os filhos, aos dezoito anos, tiram suas carteira de identidade civil, a cidadania começa, sim na escola desde os primeiros anos da educação infantil estendendo-se até a educação superior. Estamos educando quando questionamos e encorajamos o educando a perguntar, a inquirir o professor, a cogitar outras possibilidades do fazer, enfim, quando o aluno aprende a fazer fazendo criando um clima de paz e bem-estar social.

Acredito que deve existir um comprometimento por parte do professor para que se possam atingir os objetivos propostos em relação a sua ação pedagógica e como conseqüência terá resultados significativos por parte do aprendizado adquirido pelos seus alunos.

            O professor deve estar sempre em busca de novas alternativas, novas metodologias, para que o seu trabalho não se torne uma rotina, deve haver uma responsabilidade por parte do educador em tornar o seu fazer envolvente, atraente, desafiador, dando assim um sentido à aprendizagem. O educando, por sua vez, conseguirá assimilar mais rápido e sentirá interesse na realização das atividades propostas. Para Freire (1996 p.24): “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo”. Nós como professores devemos ser críticos ao fazermos o nosso planejamento diário, vendo se realmente este está de acordo com a realidade dos nossos alunos.

            A postura professor-aluno deve partir da relação de troca (partilhando seus saberes) e do respeito mútuo, enfatizando o papel de cada um como membros atuantes no processo ensino-aprendizagem, buscando o conhecimento, respeitando as diferenças individuais e limitações de cada um, procurando sempre interagir de maneira que todos possam opinar no desenvolvimento das aulas.

            A escola deve oportunizar condições favoráveis ao crescimento integral do aluno para uma participação consciente e responsável da cidadania, assim como momentos de reflexão para repensar sobre as questões educacionais que atualmente ocorrem. De acordo com Arroyo:

No convívio com a infância popular percebemos que algo falta em nosso ensinar, que esperam mais de nós e do seu tempo de escola, em tempo tão difícil de segurar diante das pressões da sobrevivência. Descobrimos os educandos, as crianças, adolescentes e jovens como gente e não apenas como alunos. Mais do que contas bancárias, onde depositamos nossos conteúdos. Vendo os alunos como gente fomos redescobrindo-nos também como gente, humanos, ensinantes de algo mais do que nossa matéria [...]            (2000, p.53)                                                      

A realidade escolar está sempre em processo de mudanças e rápidas transformações, por isso há necessidade de um resgate de valores e um trabalho de reciprocidade entre pais, professores e alunos.

A educação deve estar aberta a novos paradigmas, não podemos mais ensinar como antigamente, os tempos mudaram e cada vez mais tem a necessidade de trabalhar de acordo com a realidade e interesse dos educandos, buscando assim uma educação de qualidade, para Melchior:

O professor precisa estar preparado para atender as necessidades de cada aluno, nos seus diferentes tempos e etapas de desenvolvimento. A ele não basta pensar na turma, é necessário pensar na individualidade de cada uma. E, especialmente, naqueles que têm mais dificuldades. Usando técnicas diferentes, tanto para despertar para o assunto em questão como para trabalhar os conhecimentos. Também pode auxiliar o professor, nessa tarefa, o desenvolvimento de uma atitude de solidariedade, no grupo, criando o hábito da ajuda mútua[...]  (2003, p.35)

Precisamos despertar nos educandos um espírito de criticidade, busca por seus ideais, liberdade, compromisso, entendendo-se como ser atuante e responsável por todos seus atos.

Como educadores temos que ter claro em nossa prática que todo planejamento tem como finalidade à elaboração de planos de trabalho que visem não só a eficiência, mas principalmente a sua eficácia, ou seja, que sejam feitas as coisas e que estas sejam socialmente desejáveis e que atinjam seus objetivos.

Outro aspecto relevante em uma prática docente é possuir clareza e honestidade, o que deve ser construído dentro de uma ação contextualizada e crítica para que possua um sentido de pensar a sociedade em que se vive e se quer construir. Neste sentido o planejamento dentro da escola é um processo de tomada de decisão sobre determinada ação, é pensar antes de agir, é refletir, é preparar o passo seguinte.

A descrição geral das competências do educador infantil de acordo com a CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) relata que o profissional deverá ensinar e cuidar de alunos com faixa etária de zero a seis anos orientando na construção do conhecimento, elaborando projetos pedagógicos, planejando ações didáticas sem esquecer de avaliar seu desempenho e de seus alunos. Necessita também preparar material pedagógico organizando o trabalho no desenvolvimento das atividades proporcionando conseqüentemente um conjunto de capacidades comunicativas.

O educador infantil deve contemplar competências pessoais, que são aquelas que envolvem autocontrole, a capacidade de observação, de interagir com a comunidade, de trabalhar em equipe, de estabelecer vínculos de atualizar-se constantemente, de auto-avaliar-se, além de possuir senso de organização, demonstrar afetividade, versatilidade, sensibilidade, paciência e sempre contornando situações adversas.

Como você pode observar, para ser um educador infantil precisa-se de bastante envolvimento, não são somente àquelas horas com seus alunos, existe um grande trabalho a ser feito, que muitas vezes não é observado no dia-a-dia, mas  faz parte do contexto da educação infantil

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